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O meu filho gosta de armas de brincar — Considerações muito sérias sobre os EUA — Como aproveitar o Brexit para fazer bem à nossa carteira — Uma teoria sobre o riso

 

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Isto não faria sentido se contasse apenas segredos pouco arriscados, que não provocam a indignação em ninguém.

 

Pois bem, aqui vai um segredo levemente polémico: não me importo muito que o meu filho brinque com pistolas de brincar. Sim, eu sei, pode não ser o brinquedo mais saudável do mundo, mas ele e os primos divertem-se imenso a correr por aí aos tiros falsos. E o certo é que ele também gosta de livros e até de cozinhas. E de espadas. 

 

Os miúdos têm esta tendência irritante de não gostar apenas dos brinquedos que os adultos aprovam.

 

E estamos a falar de armas destas:

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Sim: Nerfs. Isto é material mais a dar para o Paintball do que para os tiroteios. E eu sei que assusta ver as crianças aos tiros a dizer "estás morto", mas pensem nisto assim: mau, mau é quando há um país em que os brinquedos são armas a sério. Sim, estou a falar dos E.U.A., país de que gosto bastante, mas que tem esse terrível defeito de ter inscrito na sua constituição a posse de armas como um direito fundamental.

 

Não seria bom enviar um carregamento destas armas fofinhas para os Estados Unidos, lançá-las pelo país fora, tentando convencê-los que os seus Pais Fundadores, quando escreveram a famosa e perigosa Segunda Emenda, estavam a pensar em armas destas e não em metralhadoras capazes de matar dezenas de pessoas em poucos segundos? Sim, eu sei: é mentira. Mas não era bom que os americanos tivessem todos Nerfs em casa em vez de armas que matam mesmo a sério?

 

Pois bem: isto tudo para vos revelar um segundo segredo. O meu filho pediu, com jeitinho, uma Nerf igual à dos primos. Devia ter dito que não? Naquele momento apeteceu-me dizer que sim. O brinquedo talvez não fosse para a idade dele, mas os primos já andam desesperados: sempre que ele vai lá a casa, traz uma destas e fica todo contente. Nem usa as balas de espuma: finge que dispara, sem disparar. Ora, em nome da paz doméstica entre primos, achei melhor que ele também tivesse alguma coisa para emprestar. Pois bem: venha de lá uma Nerf.

 

Agora, mais um segredo inconfessável. Como os ingleses deram um enxerto de porrada à libra em forma de referendo, a verdade é que pude comprar o brinquedo na Amazon a bom preço. Ah, pois é, eu que fiquei em choque com o resultado do referendo, não deixei de ter o diabinho na cabeça a dizer para aproveitar o disparate britânico para fazer compras. Sim, é maquievélico. Mas, vá, admitam, enquanto o pau vem e vai, folgam as costas, que é como quem diz, enquanto não vier aí o estalo do Brexit, aproveitemos para fazer compras mais baratas.

 

E ainda um terceiro segredo: eu estava mais entusiasmado com a compra do que ele. Fiquei à espera feito criança e quando a encomenda chegou comecei logo a brincar. Logo eu, que nunca gostei destas coisas quando era puto. A minha mãe diz-me que às vezes achava estranho eu brincar tão pouco (a minha desculpa costuma ser esta: eu brincava muito, mas pela imaginação). Pois a minha mãe deve estar agora mais descansada: é verdade que já tenho idade para ter juízo. Mas brinco! E até brinco com o meu filho e com os primos com espadas e pistolas. 

 

Há uns tempos, li não sei onde que há por aí uma teoria sobre a função do riso que diz mais ou menos isto: o riso começou como forma de os pais e os filhos, quando fingem que estão a lutar, mostrarem que está tudo bem, que é brincadeira, que ninguém se está a aleijar: se alguém parar de rir, alguma coisa não está bem.

 

Não faço ideia se a teoria tem algum fundo de verdade ou não. Devia investigar, mas agora não me apetece, que vou almoçar. Mas é bem verdade que o meu filho ri-se que nem um perdido quando luta comigo, nessas brincadeiras de sofá em que os pais e os filhos se põem ao murro e às cócegas.. E também se ri quando anda atrás de mim com uma nerf. Ou com uma espada. Já com as cozinhas de brincar, põe-se sério a fingir que está a lavar a loiça ou a cozinhar. E quando joga à bola comigo também não se ri assim tanto: fica sério, concentrado em ganhar ao desajeitado do pai. Ganha-me mais vezes do que tenho coragem de admitir.

 

Nós somos bichos muito estranhos, não haja dúvida!


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Onde revelo a cor das paredes do meu quarto — Confesso-me viciado nisto dos blogues — Explico para que quero este segundo blogue.censorship-610101_640.jpg

 

Bem-vindos a um blogue sobre segredos. Os meus segredos. Pois, mas que interessam os meus segredos — pergunta o leitor e pergunta muito bem. Então se não sou famoso, se nem sequer assino com o meu nome, porque haveria alguém de querer saber os meus segredos?

 

Ora, é verdade. E até mando mais lenha para a fogueira: não só os meus segredos não interessam a ninguém, como nem sequer tenho uma revalação escabrosa que compense essa falta de interesse na minha pessoa.

 

Bem, se tivesse uma revelação escabrosa, também não a diria logo assim de chofre. Iria calar-me muito bem caladinho e, daqui a uns tempos, quando já aqui viessem muitos leitores habituados a pequenitos segredos do dia-a-dia, pumba, grande revelação! Afinal a culpa daquilo do BES é minha! 

 

Que fique o leitor com a pulga atrás da orelha: se calhar até tenho essa tal grande revelação. Ou não. E se tiver, pode dar-se o caso de, um dia, a revelar por aqui. Ou não.

 

Já agora, fiquem a saber um segredo: tenho pouco jeito para manter o anonimato. Rapidamente os meus amigos descobrem quem sou. Aliás, um dia criei um blogue que queria mesmo anónimo e uma amiga minha descobriu-me a careca porque fotografei um livro no meu quarto. Ora, o meu quarto está pintado dum improvável roxo (C’est vrai! Eis o segundo segredo!).

 

Pois ela pensou: só pode ser ele! Perguntou-me e eu respirei fundo, ganhei forças para esconder a minha identidade, pensei que era fácil mentir, e disse: «sou eu, sou».

 

E, depois, este blogue tem no título a palavra «segredos». Isto vai ser um sinal indesmentível para os meus amigos que o autor sou eu. Porquê? Não vos posso dizer. É segredo. Mas um dia conto. Os meus amigos sabem do que estou a falar.

 

Aliás, os meus amigos estão neste momento a abanar a cabeça: mas que raio tem ele na cabeça? E alguns mais preocupados devem estar a pensar em fazer aquela coisa americana da «intervenção»: chegam-se ao pé de mim e dizem: «Ó M, pára lá com isso, se faz favor. Pára de criar blogues!» E eu digo: «Mas são só dois, já abandonei tudo o resto. São só dois...» E eles: «Já são dois a mais!» E eu choro e abraçamo-nos e eu nunca mais venho aqui.

 

Não. Claro que não vai acontecer nada disto, porque somos portugueses e como tal eles vão rir-se e dizem-me: «porra, que tu não páras com isso dos blogues» enquanto encolhem os ombros e passam à frente.

 

Aliás, por cá, os amigos não fazem intervenções. Se um amigo se porta mal, nós portamo-nos mal com ele. Aliás, portamo-nos ainda pior e gozamos com o amigo por ser totó.

 

Ora aí está a razão por que me apeteceu criar este outro blogue: deixar a franga à solta no que toca a generalizações. Os amigos são todos assim. Os portugueses são todos assado. Ai, os ingleses: são todos uns assim ou assado (e no fim ganha o assim). No outro blogue (que não posso revelar qual é) tento ser cuidadoso, pensar como deve ser. É bom, faz falta. Mas cansa. Às vezes gosto de dizer outras coisas, sair dos mesmos temas, contar uns segredos, dizer disparates (não que não os diga também no outro blogue, mas por lá é sem querer).

 

É isso: apetece-me, às vezes, deixar as palavras correr ao sabor do vento e falar de coisas banais ou menos banais, mais pessoais, que tenham interesse ou nem por isso, mas que sejam minhas. Por isso, aqui ficam os meus segredos...


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